Quando se fala em Piezo na endodontia, a ativação da irrigação costuma ser a primeira aplicação lembrada.
Mas o ultrassom pode entrar em diferentes momentos do tratamento endodôntico.
A literatura descreve seu uso desde o acesso aos canais até o retratamento e a cirurgia endodôntica. A questão não é substituir toda a instrumentação convencional, e sim entender onde o ultrassom acrescenta acesso, controle e capacidade de atuação em regiões mais difíceis.
Acesso e localização de canais
Calcificações e alterações na anatomia da câmara pulpar podem tornar a localização dos canais mais desafiadora.
Pontas ultrassônicas podem auxiliar no refinamento do acesso, remoção controlada de dentina e calcificações e exploração de áreas onde há suspeita de canais ocultos. Em canais calcificados, a literatura também destaca a associação do ultrassom com magnificação e recursos de imagem — ou seja, ele é uma ferramenta dentro do planejamento, não uma solução isolada.
Irrigação: alcançar o que a lima não toca
O sistema de canais radiculares não é uma estrutura perfeitamente regular.
Istmos, reentrâncias e ramificações podem permanecer fora do contato direto dos instrumentos. É nesse cenário que a ativação ultrassônica da solução irrigadora ganha importância.
Uma revisão sistemática encontrou maior remoção de remanescente pulpar e debris de tecido duro quando a irrigação ultrassônica foi comparada à irrigação convencional com seringa. Estudos clínicos mais recentes também apontam resultados favoráveis, embora a literatura ainda ressalte que protocolo e indicação importam.
Retratamento e remoção de obstáculos
Em um retratamento, o desafio pode ser recuperar o acesso ao sistema de canais.
O ultrassom pode auxiliar na remoção de pinos, materiais intracanais e, em situações selecionadas, instrumentos fraturados. Aqui, porém, precisão é fundamental: posição do fragmento, anatomia radicular, espessura de dentina e possibilidade de desgaste precisam ser avaliadas antes da tentativa de remoção.
Obturação: também existem aplicações
O uso do ultrassom não necessariamente termina depois da limpeza.
A literatura descreve aplicações auxiliares também na obturação, incluindo técnicas de ativação e manipulação de materiais. Mas esse é um bom exemplo de onde é preciso evitar generalizações: o protocolo depende do material e da técnica escolhidos. A revisão clássica sobre ultrassom em endodontia já inclui a obturação entre suas aplicações documentadas.
E, quando o tratamento é cirúrgico?
O ultrassom também encontrou espaço na cirurgia endodôntica, especialmente no preparo retrógrado e em etapas que demandam acesso mais localizado.
Então, são quantas etapas?
Podemos falar em quatro grandes momentos do tratamento endodôntico não cirúrgico, além de aplicações na cirurgia endodôntica.
Mas o mais interessante não é o número.
É perceber que o Piezo deixa de ser “um aparelho para uma etapa” e passa a funcionar como uma ferramenta complementar ao longo de diferentes desafios clínicos.
E isso exige sempre a combinação correta entre equipamento, ponta, potência, indicação e técnica.
Na tecnologia piezoelétrica da CVDentus®, a energia elétrica é convertida em movimentos ultrassônicos precisos e controlados, oferecendo diferentes possibilidades de aplicação conforme o inserto utilizado.
O Piezo não substitui o protocolo endodôntico. Ele amplia o que o profissional pode fazer dentro dele.
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